"Abra a porta do seu egoísmo e me deixe invadir o seu ser!"
Clarisse Ohrarah.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Dignidade recuperada
Sentado na calçada,ele se alimentava com os restos de comida de um restaurante quando uma mulher passou ao seu lado,puxando uma criança pela mão."Não chega perto,ele está cheirando mal",alertou a senhora.A frase fulminou o ex-policial militar Diogo Strupper,39 anos.Ele se levantou ainda zonzo pelo efeito da bebida,olhou a imagem refletida no vidro de um carro estacionado,estava sujo,mal vestido e cabeludo.Foi quando percebeu que estava cavando o seu próprio precipício por causa do álcool.
Há 10 anos morava nas ruas de São Paulo,o alcoolismo começou quando tinha apenas 12 anos de idade,sentindo-se culpado pela morte da mãe,mergulhou na bebida.Após 2 anos de trabalho como policial,foi expulso da corporação por problemas diversos.A convivência com os familiares se degradou,e Diogo passou a morar nas ruas.Vivendo de caridade,e se aquecendo com garrafas de cachaça.
Sua familia perdeu a esperança e começaram a aceitar o destino dele depois de três tentativas frustradas.
Em 2003,desnutrido,pesando 45kg,ferido por mais um espancamento,ele reconheceu finalmente a dependência e concordou em se recuperar numa clinica.Durante nove meses de internação,ele sofreu com a abstinência,que provocava tremedeiras e convulsões."Eu sentia vontade de beber a qualquer hora.É muito difícil se manter sóbrio",conta.
Hoje,ele acreditar que vive uma outra vida e que o antigo homem morreu.Aprendeu a evitar o que conhece pela sigla HPL:hábitos,lugares e pessoas que lembram a bebida.Não teve nenhuma recaída após deixar a clínica."Todas as vezes que ficava tentado,eu imaginava olhar em um retrovisor.Pensava se valia a pena ter aquela vida de volta".Ele mudou a forma de se vestir,de falar,de pensar.Casou-se.Agora luta para reconquistar a confiança da família.Diogo trabalha em uma clínica ajudando na recuperação de dependentes químicos.Acha que sua história de superação ajuda as pessoas a apostarem na idéia de que uma outra vida é possível.
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